As palavras são bailarinas
Que dançam e giram
E se têm pérolas e penteados
Não haverá maior razão
Para serem punhais também?
As palavras põem as mãos atrás das costas.
Aquelas mãos que um dia viraram a chuva
E que outro dia enterraram a terra, as mesmas mãos
Porque não têm outras.
E nisto dançam.
As palavras juntam-se todas
Ou então só se juntam umas.
E compostas se insurgem umas sobre as outras,
Para chegar ao céu ou para morrer na espuma,
Por uma longa maré que rebenta e se agita.
As palavras querem ser só bailarinas,
E se houver vez alguma que se lhes ponha o peso,
Não mexem e recuam.
Tentam e voltam.
E penosas nem gritam nem tocam.
Enormes mundanas e sujas -
Bailarinas sujas -,
Ou levianas gaivotas,
As palavras vêm em bandos para nos embalarem
Porque já não são palavras, são as nossas madrugadas.
As palavras, quando sopram o último suspiro,
Só querem uma coisa - a mesma coisa porque não querem outra:
Abrem aos céus os seus arcos
E todas juntas largam os dardos
Sobre a neblina do que são.
Para alguém que as colha, às madrugadas, elas são
As mesmas palavras,
Porque não têm outras.
05 maio, 2009
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