14 julho, 2009
19 junho, 2009
E agora não sei
Roda o relógio na corda de pano
E morro de não saber se é medo
Ou se é vontade o que há no tempo.
Se virar as costas, esqueço.
Se aguentar os pés e os dedos, enlouqueço.
Mas há que eu saiba o ponto-suspenso:
Andar e não ver.
Se for a vivo-tempo, tremo:
Ficar e lembrar.
Já não sei os meus segredos.
Só que as coisas vão e venham,
Na roda e roda que finge que gira,
Se cá fica o resto – e a saudade que dele ficou -,
Nem ter nem ser são o remédio;
Se há algum, eu não sei qual.
Eu não sei qual, eu não sei qual.
E morro de não saber se é medo
Ou se é vontade o que há no tempo.
Se virar as costas, esqueço.
Se aguentar os pés e os dedos, enlouqueço.
Mas há que eu saiba o ponto-suspenso:
Andar e não ver.
Se for a vivo-tempo, tremo:
Ficar e lembrar.
Já não sei os meus segredos.
Só que as coisas vão e venham,
Na roda e roda que finge que gira,
Se cá fica o resto – e a saudade que dele ficou -,
Nem ter nem ser são o remédio;
Se há algum, eu não sei qual.
Eu não sei qual, eu não sei qual.
06 junho, 2009
03 junho, 2009
Eu o contrário 392
Querer saber de um mal
Que de curto ou longo
Pouco acrescenta,
Ou nem mesmo nada traga,
É coisa com pouca vontade.
Da pouca vontade,
Vem-lhe o pouco valor.
Continuamente é coisa que só se nota,
Quando não se espera.
E se da expectactiva já fizesse parte,
Não haveria a quem lhe espantasse a existência:
Só o mal nos desilude; quanto bem já houve
Que morreu na espera de ser notado? Todo ele.
Mais sentido que um copo partido,
Ou que um grito do oxigénio, não foi.
Há que eu sinta pena de não ver como se vê,
De esperar como não se espera,
De não querer como se quer.
Mas haverá para nós sensatez na culpa
Do bem maior que não cheguei a ter,
Como se vê,
Como não se espera,
Como se quer,
Eu o contrário?
Que de curto ou longo
Pouco acrescenta,
Ou nem mesmo nada traga,
É coisa com pouca vontade.
Da pouca vontade,
Vem-lhe o pouco valor.
Continuamente é coisa que só se nota,
Quando não se espera.
E se da expectactiva já fizesse parte,
Não haveria a quem lhe espantasse a existência:
Só o mal nos desilude; quanto bem já houve
Que morreu na espera de ser notado? Todo ele.
Mais sentido que um copo partido,
Ou que um grito do oxigénio, não foi.
Há que eu sinta pena de não ver como se vê,
De esperar como não se espera,
De não querer como se quer.
Mas haverá para nós sensatez na culpa
Do bem maior que não cheguei a ter,
Como se vê,
Como não se espera,
Como se quer,
Eu o contrário?
12 maio, 2009
Ópio da idade (à terceira é de vez)
Que puta de dor virou a esquina sem se despedir? Tenho saudades que se farta. Como virar o vestido dela do avesso, ou um copo contra a mesa, a dor também vira assim a esquina como se tivesse dessas generosidades? Como virar o destino dela do avesso. Não espero que a saudade venha. Como se espera a leucemia, ou o ladrão atrás porta, a saudade também não se espera com o mesmo susto? Espero ficar com o coração em pó, ó, ó, ó, até que haja tempo para recuperar da droga que é preciso. Mas eu só quero é ser feliz, iz, iz, iz.
05 maio, 2009
Giram as palavras por redes vãs
As palavras são bailarinas
Que dançam e giram
E se têm pérolas e penteados
Não haverá maior razão
Para serem punhais também?
As palavras põem as mãos atrás das costas.
Aquelas mãos que um dia viraram a chuva
E que outro dia enterraram a terra, as mesmas mãos
Porque não têm outras.
E nisto dançam.
As palavras juntam-se todas
Ou então só se juntam umas.
E compostas se insurgem umas sobre as outras,
Para chegar ao céu ou para morrer na espuma,
Por uma longa maré que rebenta e se agita.
As palavras querem ser só bailarinas,
E se houver vez alguma que se lhes ponha o peso,
Não mexem e recuam.
Tentam e voltam.
E penosas nem gritam nem tocam.
Enormes mundanas e sujas -
Bailarinas sujas -,
Ou levianas gaivotas,
As palavras vêm em bandos para nos embalarem
Porque já não são palavras, são as nossas madrugadas.
As palavras, quando sopram o último suspiro,
Só querem uma coisa - a mesma coisa porque não querem outra:
Abrem aos céus os seus arcos
E todas juntas largam os dardos
Sobre a neblina do que são.
Para alguém que as colha, às madrugadas, elas são
As mesmas palavras,
Porque não têm outras.
Que dançam e giram
E se têm pérolas e penteados
Não haverá maior razão
Para serem punhais também?
As palavras põem as mãos atrás das costas.
Aquelas mãos que um dia viraram a chuva
E que outro dia enterraram a terra, as mesmas mãos
Porque não têm outras.
E nisto dançam.
As palavras juntam-se todas
Ou então só se juntam umas.
E compostas se insurgem umas sobre as outras,
Para chegar ao céu ou para morrer na espuma,
Por uma longa maré que rebenta e se agita.
As palavras querem ser só bailarinas,
E se houver vez alguma que se lhes ponha o peso,
Não mexem e recuam.
Tentam e voltam.
E penosas nem gritam nem tocam.
Enormes mundanas e sujas -
Bailarinas sujas -,
Ou levianas gaivotas,
As palavras vêm em bandos para nos embalarem
Porque já não são palavras, são as nossas madrugadas.
As palavras, quando sopram o último suspiro,
Só querem uma coisa - a mesma coisa porque não querem outra:
Abrem aos céus os seus arcos
E todas juntas largam os dardos
Sobre a neblina do que são.
Para alguém que as colha, às madrugadas, elas são
As mesmas palavras,
Porque não têm outras.
03 maio, 2009
Outro ponto de suspensão
Ajoelha, e os braços na terra. Os braços magros e sozinhos. É como estava antes do parto e é como esteve para a vida toda: ajoelhado e os braços na terra. Tal como o é a fotografia com os olhos cansados e o punho a apoiar a cara, com tudo triste, também é a posição fetal de joelhos e braços. Se não fosse preciso andar e todas as outras coisas que são ou não precisas, teria estado sempre assim para o mundo - virado de joelhos e braços estendidos.
Hoje vejo-o da varanda. Saltaria daqui para agarrar o ar e ter asas, como os pássaros tem, e agarrá-lo dentro de água como um filho, e embalá-lo no meu colo enquanto as ondas vão e vêm, e eu fico sempre em pé a agarrá-lo, entre as marés novas e velhas. Saltar da varanda para sempre: beber o resto da chávena, levantar da cadeira, chegar sobre o muro, e saltar lá para fora. Para a praia e para o mar; embalá-lo tanto para que se esqueça e feche os olhos e mais nada. Só as ondas que vão e as ondas que vêm, e nós entre elas, e deitado no colo, e em pé, para o resto dos tempos, sempre molhados com coisas que lhe toquem sem que se lhes pedir seja preciso.
Hoje vejo-o da varanda. Saltaria daqui para agarrar o ar e ter asas, como os pássaros tem, e agarrá-lo dentro de água como um filho, e embalá-lo no meu colo enquanto as ondas vão e vêm, e eu fico sempre em pé a agarrá-lo, entre as marés novas e velhas. Saltar da varanda para sempre: beber o resto da chávena, levantar da cadeira, chegar sobre o muro, e saltar lá para fora. Para a praia e para o mar; embalá-lo tanto para que se esqueça e feche os olhos e mais nada. Só as ondas que vão e as ondas que vêm, e nós entre elas, e deitado no colo, e em pé, para o resto dos tempos, sempre molhados com coisas que lhe toquem sem que se lhes pedir seja preciso.
Embalá-lo tanto, embalá-lo tanto, tanto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

